Jean Michel Jarre e Marcio Barbosa, Diretor -Geral Adjunto da Unesco no escritório da entidade em 3 de Novembro de 2009.Foto: Divulgação
Jean Michel Jarre é um dos maiores nomes da musica do século XX. Isto é fato. Desde que iniciou sua carreira com o sucesso de seu primeiro album Oxygene que completou 30 anos em 2006, o notório francês nascido em Lyon em 24 de Agosto de 1948 conseguiu de uma forma muito eficiente popularizar a musica instrumental nos quatro cantos do planeta. Suas composições sempre estiveram a frente de seu tempo e os arranjos que sugeriam uma nova era com os efeitos espaciais deram ao mundo da música uma nova arte de composição, um novo tempo de explorações tecnológicas nas gravações. Resultado disso foram os albuns Equinoxe de 1978, Magnetic Fields de 1981 e Zoolook de 1984. Na minha opinião, foram os três albuns que prepararam Jarre para o estrelato. Ou melhor, prepararam para um concerto histórico de comemoração de 150 anos da cidade de Houston no Texas onde um publico em torno de 1.300.000 pessoas estiveram presentes e que conduziu Jarre, definitivamente, a consagração de seu trabalho. Depois em 1988 outro grande concerto foi realizado em Londres, no meio de um frio impiedoso e uma chuva torrencial na cidade britânica, onde milhares de pessoas estiveram presentes. Cerca de dois anos após este evento, outro concerto histórico, na capital de seu país-natal: Paris. O concerto conhecido como La Defense levou cerca de 2.300.000 pessoas a assistirem um espetaculo de luzes e cores que cobriam literalmente os predios daquele local com imagens sendo projetadas e um palco montado em forma de uma pirâmide abrigando dezenas de musicos, computadores, cases e teclados dos mais variados tipos, inclusive o The Magic, teclado em forma circular que oferecia sons atípicos e, sem redundância, exclusivos. Se você é muito jovem talvez não tenha ouvido falar de Jean Michel Jarre, tampouco deste concerto. Mas tudo isso foi transmitido no Brasil, na época, pela TV Globo como um especial de fim-de-ano. Depois deste concerto, nenhum trabalho do francês foi divulgado. O album Waiting For Cousteau, produzido para homenagear o mundialmente famoso Jacques Cousteau, oceanógrafo e explorador francês que morreu em 1997, foi o ultimo trabalho de Jarre divulgado pela TV no Brasil. Depois disso, mais nada. E onde que entra a questão de um espetáculo de Jarre tão sonhado em nosso país? Justamente nisso: como realizar um evento de tamanho porte se não há divulgação maciça de seu trabalho por aqui. Em São Paulo ocorreu a exposição Jarre 60 que automaticamente elegia o Brasil a uma candidatura dos shows de Jarre por aqui. Mesmo sendo o ano da França no Brasil, nada de concreto ocorreu. A midia televisiva não transmite os shows que ocorrem na Europa e sem divulgação, é muito claro que as chances do artista vir até aqui tornam-se parcas, quase nulas. Se a TV brasileira tivesse dado continuidade a divulgação deste grande artista, era bem possível imaginar, que, um concerto de Jean Michel Jarre poderia ja ter ocorrido, seja na Av Paulista em São Paulo, seja na Praia de Copacabana no Rio ou em qualquer cidade grande de nosso país. Até porque este espetáculo cai como uma luva num pais rico de cultura como é o Brasil. Enquanto não ha mobilização por parte da mídia brasileira, ficaremos a margem de uma esperança, que não sabemos se é falsa ou verdadeira, aguardando um sinal verde para realização de um sonho, quase platônico, de milhares de brasileiros, admiradores do grandioso e incontestável talento de Jean Michel Jarre.



